Forecast de recuperação com intervalo: P50, P85, P95 e o risco de quebra
Um número único de caixa futuro é uma aposta com cara de relatório. Ele junta numa linha só o que está contratado para vencer e o que a carteira costuma pagar de fato, e esconde a diferença entre as duas coisas. O CFO que leva esse número ao comitê descobre a quebra depois, no caixa realizado, quando já não há o que fazer.
O Forecast de Recuperação do revo360 responde de outro jeito. Ele mostra duas curvas e o vão entre elas: o que está contratado e ainda vai vencer, mês a mês; o que a carteira tende a pagar, em três cenários, P50, P85 e P95; e a distância entre as duas, que é o risco de quebra, medido. O painel vive no Cockpit de Resultado & Caixa, ao lado da Carteira de Acordos e do Caixa Realizado, e lê a mesma base em que a operação registra o acordo, o boleto e a baixa.
As duas curvas

A curva contratada soma, por mês de vencimento, tudo o que está em aberto e ainda vai vencer: as parcelas de acordo e as parcelas do contrato original. É o que o cliente se comprometeu a pagar, no calendário em que se comprometeu. Promessa de pagamento não é parcela e não entra nela. Proposta de exceção em análise também não: proposta não é recebível, e o painel mostra esse pipeline ao lado, fora da curva.
A curva de propensão parte da mesma base e aplica o que a carteira fez no passado: a taxa de realização histórica, que é o pago dividido pelas parcelas de cada mês já vencido. Se nos últimos meses a carteira pagou 15 de cada 100 reais que venciam, não há razão para projetar 100 no mês que vem. O painel mostra essa taxa mês a mês, e é dela que saem os cenários.

O contratado em barras, a propensão P50 em linha. Na base de demonstração, R$ 486,2 mi contratados a receber e R$ 71,1 mi de recuperação esperada no P50, com uma taxa de realização histórica de 14,6% sobre 30 meses de base. Base de demonstração, dados fictícios.
O vão é o risco de quebra, medido
A distância entre a curva contratada e a curva de propensão é o que tende a não entrar. O painel soma esse vão por mês de vencimento e o mostra em barras. É a quebra de acordo antes de acontecer, com valor e com data.

Quanto tende a não entrar, mês a mês. O vão é maior nos primeiros meses porque é neles que o contratado se concentra. Base de demonstração, dados fictícios.
O gap não decide nada por você. Ele diz onde olhar, e quando. Três usos que não dependem de prometer resultado:
- Antecipar a renegociação. O mês em que o vão se concentra é o mês em que vale procurar o cliente antes do vencimento, e não depois de a parcela virar atraso.
- Rever a cadência da régua. Se o lembrete e o aviso chegam depois da data, a curva contratada vira caixa perdido antes de a operação reagir.
- Separar o cliente do meio de pagamento. Parte do que não entra não é quebra do cliente; é boleto rejeitado, retorno com erro ou estorno. Essa parte se lê na Saúde de Pagamentos, mais abaixo.
Quer ver o vão entre o contratado e a propensão na sua carteira? Solicite um diagnóstico operacional.
Como ler P50, P85 e P95

Os três cenários saem de uma simulação, Monte Carlo, sobre a taxa de realização histórica: o painel sorteia muitas vezes o que cada mês futuro pode render, com base no que os meses passados renderam, e lê a distribuição do resultado.
- P50 é o cenário central. Em metade das simulações o caixa fica acima dele; na outra metade, abaixo. É a expectativa.
- P85 é o piso provável. Em 85 de cada 100 simulações o caixa fica igual ou acima dele.
- P95 é o piso conservador. Em 95 de cada 100.
Na curva, a faixa sombreada vai do P95 ao P50. Como o que importa é o dinheiro que entra, a faixa é desenhada para baixo da expectativa, e não em volta dela.
A regra de honestidade: a faixa só aparece com quatro meses de histórico de realização ou mais. Com menos, o painel mostra a propensão sem faixa, porque ainda não há base para dizer o quanto ela pode variar. O painel lê uma versão materializada da base, com o selo na tela e o botão “Atualizar dados” para pedir a rematerialização quando você precisa de um número mais novo.
Que número levar ao comitê? O P50 é a expectativa. O P85 é o piso para o que depende do caixa entrar. O P95 é a margem mais apertada, para quem precisa saber o que entra quase com certeza. O P50 e a faixa até o P95 estão no gráfico, com o contratado ao lado; o P85 aparece no detalhe de cada mês. O método está publicado em Como calculamos.
No modo credor, o forecast tem recorte por assessoria
Na versão do credor, o forecast ganha a dimensão assessoria. O bloco “A receber por assessoria” mostra o a vencer de cada assessoria mês a mês, com a operação própria no mesmo total da tabela, que separa o que está em acordo do que é contrato original. O recorte é pela assessoria que está com o título hoje. Quem quer ler pela assessoria que estava com o título na data do pagamento usa o Caixa Realizado, que é painel de evento.

A receber por assessoria, no modo credor (em homologação): a operação própria e as assessorias somam no mesmo total, e cada linha separa o que está em acordo do que é contrato original. Base de demonstração, dados fictícios.
O forecast conversa com o caixa realizado e com a saúde de pagamentos
O Forecast de Recuperação diz quanto vai entrar. O Caixa Realizado diz quanto entrou, da mesma base: é o par que olha para trás. Dentro dele, o bloco Previsto × Realizado põe o caixa acumulado do mês contra a projeção de fim de mês, nos mesmos três cenários. É assim que a previsão é cobrada ao longo do próprio mês, e não só no fechamento.
A Saúde de Pagamentos é o par operacional. Ela responde se a quebra veio do cliente ou do meio de pagamento, com um semáforo por origem de baixa, por registro de boleto e por cartão, sobre a esteira dos últimos 90 dias. Quando o realizado fica abaixo do piso e um semáforo está vermelho, a primeira suspeita é o meio de pagamento, não a carteira. Os dois painéis estão no post sobre o que entrou bater com o extrato.
O forecast, em vídeo
O vídeo abaixo percorre o painel: os indicadores, a curva de recebíveis por mês de vencimento, o gap contratado × propensão e a taxa de realização histórica que alimenta os cenários.
Forecast de Recuperação, do revo360 Analytics. Base de demonstração, dados fictícios.
O que levar à reunião do CFO
- Nunca um número só. Leve o contratado, o P50 e o P85 do mesmo mês, e o vão entre o contratado e o P50.
- O mês do vão. O gap tem data: é a agenda de renegociação dos próximos meses, e não uma média anual.
- A taxa de realização, não a meta. A propensão sai dela, e o vão entre o contratado e a propensão é o indicador que anda na frente da quebra.
- A conferência. No decorrer do mês, abra o Previsto × Realizado no Caixa Realizado e cobre a previsão contra o que entrou.